Fadiga de decisão: um dos motores da procrastinação

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Você já ouviu a expressão fadiga de decisão? Abaixo, vamos explorar esse que é um dos maiores prejuízos da “vida conectada”, e também entender como se relaciona à exaustão mental e a procrastinação.

Por que procrastinamos, estamos ansiosos e sem foco?

O psicólogo Barry Schwartz, em seu livro “O paradoxo da escolha: por que menos é mais”, mostra que a ideia de que somos mais felizes quanto mais opções temos é enganosa. Quando há muitas escolhas ou quase nenhuma, tendemos à frustração. Só ficamos mais satisfeitos quando dispomos de um número razoável de opções — nem tantas a ponto de esgotar, nem tão poucas a ponto de parecer limitação.

O conceito de fadiga de decisão, desenvolvido pelo psicólogo social Roy F. Baumeister, descreve que tomar decisões de forma contínua dá trabalho: exige esforço mental e, com o tempo, desgasta a pessoa física e emocionalmente. À medida que o dia passa, tendemos a optar por escolhas mais impulsivas e a resistir menos às tentações, porque o autocontrole tende a se esgotar.

Você já se sentiu exausto ao fim do dia só por ter tomado tantas pequenas decisões? É justamente isso que a fadiga de decisão evidencia: a mente cansada de escolher, que, em vez de decidir, prefere fugir — e essa fuga muitas vezes resulta em procrastinação e ansiedade.

 

VOCÊ JÁ SE SENTIU CANSADO FAZENDO ESCOLHAS COM ELEVADO NÚMERO DE OPÇÕES?

Em um estudo muito conhecido, chamado “o experimento da geleia”, Sheena Iyengar, da Universidade Columbia, e Mark Lepper, da Universidade de Stanford, montaram uma promoção em um supermercado. Em um dia, ofereceram 24 tipos de geleia; em outro, apenas 6. No primeiro dia, cerca de 60% das pessoas pararam para experimentar, mas apenas 3% compraram. No segundo dia, o número de visitantes caiu para 40%, porém 30% compraram a geleia. Esse resultado evidenciou que, quando há menos opções, tomamos decisões com mais facilidade. Já com muitas escolhas, ficamos paralisados pelo medo de se arrepender — e acabamos por não escolher nada. É por isso que lojas colocam doces e produtos que tendemos a escolher no impulso perto do caixa: depois de gastar energia decidindo cada item da lista, é mais difícil resistir à tentação. Nesse cenário, a fadiga de decisão e a ansiedade se tornam um combustível para a procrastinação, principalmente em e em contextos de sobrecarga, como o Burnout e em crises com a carreira.

PROCRASTINAÇÃO: Um dos prejuízos da fadiga da decisão

O sentimento de prazer ao concluir uma tarefa é um sinal biológico de que fizemos algo até o fim. Se não existisse esse sinal, ficaríamos em dúvida sobre quando parar. Quando procrastinamos — por exemplo, ao ficar “surfando” no YouTube em vez de estudar para a aula da pós‑graduação — a ansiedade não diminui; ela se mantém, esperando que façamos algo. Estudos de Roy F. Baumeister e E. J. Masicampo, da Florida State University, mostram que tarefas incompletas geram pensamentos intrusivos. Contudo, quando os participantes criaram planos específicos para essas metas, os pensamentos intrusivos diminuíram. Escrever no papel o que, como e onde você vai realizar cada tarefa é suficiente para o cérebro sentir certa sensação de conclusão — o que reduz a incerteza, a procrastinação e ansiedade. Por isso, a organização é essencial para quem quer diminuir a procrastinação e para quem atravessa crises de carreira ou Burnout. Ter um plano claro ajuda não só a reduzir a fadiga de decisão, mas também a mostrar ao empregador que você domina uma soft skill muito valorizada: saber priorizar ao executar.

Como reduzir a fadiga de decisão: 9 dicas

Como já vimos, tomar muitas decisões em sequência aumenta a ansiedade, prejudica a concentração e tende a tornar a procrastinação uma tentativa “fácil”, porém ineficiente, de escapar da paralisia. Isso é especialmente comum na fadiga de decisão e em formas de ansiedade paralisantes, quando a pessoa deseja parar de procrastinar, protelar tarefas importantes, mas não possui estratégias que mudem esse quadro. Veja abaixo nossas sugestões para enfrentar este problema em 9 dicas práticas:

  1. Tome decisões pela manhã

Agende reuniões e compromissos importantes pela manhã ou se tiver um trabalho noturno, um pouco após acordar. É quando a acuidade mental está mais alta, decisões do início do dia tendem a ser mais sensatas e equilibradas.

  1. Priorize seu lazer como prática de saúde mental

Divirta-se e use o fim de semana para projetos pessoais! A ideia de “nunca desligar do trabalho” diminui sua capacidade de recuperação. Sem descanso adequado, fica mais difícil evitar a fadiga de decisão e ansiedade. Já tentou ter um hobby? Se não, fica a sugestão!

  1. Pausas diárias evitam o Burnout

Faça pausas de 15 minutos ou mais fora do ambiente de trabalho. Antes de uma decisão importante, saia do escritório (físico ou espaço do virtual laboral) e, se possível, entre em contato com a natureza. Isso ajuda a renovar a mente e a reduzir a tendência de procrastinar tarefas importantes.

  1. Use o final de semana para planejar a semana

Reserve duas horas no fim de semana para organizar a semana seguinte. Muitas pessoas fazem isso domingo à noite, isso pode reduzir a fadiga de decisão na segunda‑feira e evitar a sensação de início de semana caótico.

  1. Rotina matinal e autorregulação como proteção à fadiga de decisão

Organize a rotina da casa nos finais de semana. Planeje refeições, faça listas de compras, vá ao supermercado e conclua algumas tarefas domésticas. Assim, durante a semana, sobram menos decisões, menos preocupações e menos cansaço.

  1. Limites digitais na redução de estresse e procrastinação

Controle o uso de redes sociais! Uma sugestão é definir horários específicos para acessar redes sociais e um limite de tempo. Assim, você evita o hábito de “surfar” na internet até a exaustão e ganha energia mental para lidar com o que realmente importa.

  1. Para tudo, ou quase, exercício!

Estabeleça um compromisso semanal com exercícios físicos. Se você está começando, uma vez por semana já ajuda. Com o tempo, aumente a frequência e encontre o tipo de exercício que mais lhe agrada. Isso libera endorfinas, reduz a ansiedade e melhora a percepção e o juízo para parar de procrastinar.

  1. Mantenha níveis de glicose estáveis

Evite picos rápidos de açúcar, que desregulam funções fisiológicas e aumentam a fadiga. Inclua mais proteína e lanches saudáveis e, se for difícil, busque ajuda de um nutricionista.

  1. Qualidade do sono no manejo da fadiga de decisão

Organize sua rotina de sono. A baixa qualidade do sono prejudica a atenção e piora a ansiedade. Reserve um tempo para criar hábitos de higiene do sono, que ajudam a reduzir a fadiga de decisão e a ansiedade paralisante e até a atravessar com mais tranquilidade crises de carreira e episódios de Burnout.

Quando postas em prática, essas estratégias podem funcionar como um antídoto para o combo fadiga de decisão e procrastinação, e aquilo que impede a pessoa de executar tarefas importantes — especialmente quando a vida profissional entra em um estado de exaustão. Mas se lembre, nem tudo pode ser resolvido com estratégias pragmáticas! Quando o nível de sofrimento é grande, como em crises relacionadas à transtornos ansiosos e depressivos é imprescindível a busca por tratamentos psicológico e/ou psiquiátrico.

 

Olívia Unbehaun Leal da Silva

CRP 12/12734

Tarsia Paula Piovesan Farias

CRP-12/17900

contato@optioop.com.br

 

 

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